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Marilena Chauí – Atitude Filosófica

02/06/2009

O que é?!

ATITUDE FILOSÓFICA

Para que Filosofia? Marilena Chauí inicia seu ” Convite à Filosofia” com esta indagação já antecipando o que é essencial ao desenvolvimento do pensamento e a tudo que está relacionado.  O que é?! Para que é?!

Basicamente quando fazemos alguma pergunta, óbvimente desejamos obter a resposta exata para tal, mas em nossas relações cotidianas esse desejo se perde em meio a superficialidade e espontaneidade. Nos assemelhamos mais à neonatos.

Para traduzir esta afirmação destaco um trecho inicial do ” Convite”

“Quando pergunto “que horas são?” ou “que dia é hoje”, minha expectativa é a de que alguém, tendo um relógio ou um calendário, me dê a resposta exata. Em que acredito quando faço a pergunta e aceito a resposta? Acredito que o tempo existe, que ele passa, que pode ser medido em horas e dias, que o que já passou é diferente de agora e o que virá também há de ser diferente deste momento, que o passado pode ser lembrado ou esquecido, e o futuro, desejado ou temido. Assim, uma simples pergunta contém, silenciosamente, várias crenças não questionadas por nós.”

A questão está em para que toda essa configuração me é importante?!

Se toda essa contrução em torno de um simples fato, como saber que horas são, estão dentro de mim sem que eu me dê conta, porque não se dar conta enfim e saber exatamente quem eu sou e quais conceitos me levam a ser como sou e os pensamentos que tenho? E se realmente toda essa construção é feita por mim avaliada e testada ou uma verdade construida de forma superficial e empurrada goela a baixo?!

Bem, dou à palavra a própria autora para elucidar esses apontamentos

Imaginemos, agora, alguém que tomasse uma decisão muita estranha e começasse a fazer perguntas inesperadas. Em vez de “que horas são” ou “que dia é hoje?”, perguntasse: O que é o tempo? Em vez de dizer “está sonhando” ou “ficou maluca”, quisesse saber: O que é o sonho? A loucura? A razão?

Se essa pessoa fosse substituindo sucessivamente suas perguntas, suas afirmações por outras: “Onde há fumaça, há fogo”, ou “não saia na chuva para não se resfriar”, por: O que é causa? O que é efeito?; “seja objetivo”, ou “eles são muito subjetivos”, por: O que é a objetividade? O que é a subjetividade?; “Esta casa é mais bonita do que a outra”, por: O que é “mais”? O que é “menos”? O que é o belo?

Em vez de gritar “mentiroso!”, questionasse: O que é a verdade? O que é o falso? O que é o erro? O que é a mentira? Quando existe verdade e por quê? Quando existe ilusão e por quê?

Se, em vez de falar na subjetividade dos namorados, inquirisse: O que é o amor? O que é o desejo? O que são os sentimentos?

Se, em lugar de discorrer tranqüilamente sobre “maior” e “menor” ou “claro” e “escuro”, resolvesse investigar: O que é a quantidade? O que é a qualidade?

E se, em vez de afirmar que gosta de alguém por que possui as mesmas idéias, os mesmos gostos, as mesmas preferências e os mesmos valores, preferisse analisar: O que é um valor? O que é um valor moral? O que é um valor artístico? O que é a moral? O que é a vontade? O que é a liberdade?

Alguém que tomasse essa decisão, estaria tomando distância da vida cotidiana e de si mesmo, teria passado a indagar o que são as crenças e os sentimentos que alimentam, silenciosamente, nossa existência.

Ao tomar essa distância, estaria interrogando a si mesmo, desejando conhecer por que cremos no que cremos, por que sentimos o que sentimos e o que são nossas crenças e nossos sentimentos. Esse alguém estaria começando a adotar o que chamamos de atitude filosófica.

Assim, uma primeira resposta à pergunta “O que é Filosofia?” poderia ser: A decisão de não aceitar como óbvias e evidentes as coisas, as idéias, os fatos, as situações, os valores, os comportamentos de nossa existência cotidiana; jamais aceitá-los sem antes havê-los investigado e compreendido.

Perguntaram, certa vez, a um filósofo: “Para que Filosofia?”. E ele respondeu: “Para não darmos nossa aceitação imediata às coisas, sem maiores considerações”. 

Vaneska Donato

Referencia

CHAUÍ Marilena, Convite à Filosofia, Ática, São Paulo, 2000

(Introdução: Para que Filosofia? )

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2 comentários

  1. esse site é uma merda ñ me ajudou em nada pois eu estava procurando sobre atitude filosofica e ele fala de filosofia MERDA MERDA MERDA


  2. Atitude filosófica é ter um olhar crítico, o texto é bem claro… seu ignorante e a palavra merda não existe etmologicamente… ignorante…



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